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01/07/2008 08:56
Férias, férias e férias
Essa coluna entra em recesso a partir de hoje, 01 de julho, até 11 de agosto, por férias. A Revoluttion estará em terras européias assistindo a shows de R.E.M., Radiohead, Neil Young, Raconteurs, Leonard Cohen, Lou Reed, Tom Waits, Spiritualized, My Bloody Valentine e Morrissey, entre outros. Acompanhe o diário da viagem pelo Scream & Yell
enviada por Mac
25/06/2008 09:30
500 Toques: Elton John, Amy Winehouse e Mogwai
 
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"Tumbleweed Connection Deluxe Edition", Elton John (Comercial)
O terceiro disco de Elton John é um álbum conceitual focado no velho oeste e um dos pontos luminosos da fase clássica do cantor. Esta edição luxuosa traz 13 faixas bônus entre versões demo (Elton sozinho no piano) e canções ao vivo. "There Goes A Well Known Gun" (versão um tiquinho mais roqueira que "Ballad of A Well Known Gun"), "Madman Across The Water" (com Mick Ronson na guitarra) e a baladaça "My Fathers Gun", que Cameron Crowe colocou no filme "Elizabethtown", ao vivo na BBC, brilham.
Preço em média: R$ 80 (importado)
Nota: 9
"Frank Super Special Edition", Amy Winehouse (Universal)
A mina ainda nem bateu as botas, e da-lhe raspa do baú. "Back To Black", segundo álbum, já virou edição especial com oito faixas bônus. Agora é a vez da estréia retornar ao mercado recauchutada: capa caprichada, encarte livreto e 18 faixas bônus entre demos, b-sides, versões ao vivo e remixes totalizando 30 músicas. "Stronger Than Me" (no Jools Holland) e versões curiosas para "Someone to Watch Over Me" (Gershwin) e "Round Midnight" (Thelonius Monk) valem o investimento, mas só para completistas.
Preço em média: R$ 80 (importado)
Nota: 7
"Young Team Special Edition", Mogwai (Phantom Sound & Vision)
Se Beethoven tivesse nascido na Escócia em 1980, é bem provável que ele tocasse no Mogwai, quinteto escocês especialista em sinfonias de guitarra que, ouvidas no volume certo, podem acordar uma cidade e te levar aos céus. "Young Team", a estréia do grupo em 1997, retorna em edição especial com nove faixas bônus, entre elas, "Like Herold", no T In The Park de 1997, "Summer", em uma session de rádio, e o hino "Mogwai Fear Satan" ao vivo no 5º aniversário da gravadora Chemikal Underground. Devastador.
Preço em média: R$ 50 (importado)
Nota: 9
enviada por Mac
23/06/2008 11:07
Disco da Semana: "Pilgrim Road", Willard Grant Conspiracy
Após a tempestade sônica "Let It Roll", de 2006, Robert Fisher retorna ao lirismo com seu Willard Grant Conspiracy neste "Pilgrim Road", sétimo álbum de Fisher, parceria do compositor norte-americano com o músico escocês Malcolm Lindsay, mas que conta com o séqüito de colaboradores que sempre marca presença em um novo álbum do projeto.
"Pilgrim Road" ignora a demência de "Let It Roll" para dar as mãos com "Regard The End", de 2003 na sonoridade sombria e na temática religiosa. A voz de Fisher volta a lembrar Nick Cave (a associação é imediata), e canções pungentes como "Lost Hours", ao piano e cordas, poderiam facilmente fazer parte do repertório do bardo australiano, e isso não é demérito.
Robert Fisher trafega entre o alt-country noir e o que ele mesmo chama de punk pop folk embora "Pilgrim Road" não traga nada de punk nem de pop, e sim uma sonoridade delicada que versa sobre fé e dúvida. "Lost Hours" toma um caminhoneiro como personagem que divaga sobre o tempo perdido, a saudade de casa e a existência de Deus ("A lua está muito baixa para nos iluminar / O deserto está muito escuro para que possamos observar a noite", canta Fisher).
No gospel "The Great Deceiver", o vocalista pergunta "onde está o salvador?" auxiliado pela cantora Iona McDonald, mas ele não aparece. Na belíssima "Jerusalem Bells", outra movida a piano e cordas, o personagem fala de esperança e sorte, mas pressente que acidentes vão acontecer. "Deus e diabo estão lutando pela minha alma / E ela está cheia de buracos", diz a letra de "Pugilist", outra canção magnífica cujo destaque é o tocante coro vocal.
"Phoebe" fala sobre não encarar a tragédia enquanto "Painter Blue", com tintura renascentista, fala de abandono. "O amor não é verdadeiro", canta Fisher desconsoladamente em "Malpensa", com um bonito solo de violino. O instrumental de "Water And Roses" poderia ninar psicopatas. "Vespers" é o momento da perda da fé. Há, ainda, uma versão para "Miracle On 8th Street", do American Music Club.
Mais de 20 músicos colaboram com Robert Fisher em "Pilgrim Road", e chega a impressionar como o músico consegue dar unidade ao som do grupo. Violino, violoncelo e órgão dançam de mãos dadas em noites escuras com guitarras, baixo e violões criando uma sonoridade perfeita para embalar temas de vida e morte, enganos e salvação, brigas e oração. Um disco bonito para se ouvir em silêncio, meditando.
"Pilgrim Road", Willard Grant Conspiracy (Loose)
Preço em media: $50 (importado)
Nota: 8,5
Leia também:
Let It Roll, Willard Grant Conspiracy, por Marcelo Costa ( aqui)
Link:
My Space Willard Grant Conspiracy ( aqui)
enviada por Mac
16/06/2008 08:00
Disco da Semana: "Viva La Vida or...", Coldplay
Fragmentos de um texto antigo:
"X&Y" eleva a milésima potência a grandiloqüência exibida em "A Rush of Blood to the Head"
"A banda continua na árdua caminhada para se transformar no novo U2".
"Copiando o U2, o Coldplay está mais para um Simple Minds".
"O Coldplay pinta ser a grande banda da década, porém, ainda deve um grande álbum aos críticos".
"Chris Martin precisa aprender a cantar sem chorar"
"Algum produtor fodaço (como Daniel Lanois e Brian Eno) precisa mostrar para os músicos que não existem apenas teclados, pianos e sintetizadores no mundo".
Resenha de "X&Y" datada de 13 de julho 2005 (a integra está aqui).
Três anos se passaram desde o texto acima. Neste meio tempo, o Coldplay baixou na América latina para uma mini-turnê, o vocalista enfezadinho abandonou jornalistas em uma entrevista coletiva de imprensa em São Paulo e mais de 350 comentários superlotaram uma coluna que escrevi em março de 2007 sarreando Chris Martin (incrivelmente, 50% querendo o meu pescoço, 50% me elogiando - e eu achei que fosse ser linchado em praça pública sem nenhum amigo para me dar a mão). Ah, e o Coldplay chamou Brian Eno para produzir o seu novo disco...
Brian Eno dividiu os trabalhos com Markus Dravs recomendado por Win Butler, do Arcade Fire, após ter assinado a produção do maravilhoso "Neon Bible" e chegou chutando a porta da lojinha Coldplay no geral, e de Chris Martin em particular, falando tudo aquilo que a gente já sabia: "Suas canções são longas demais. Você é muito repetitivo, e usa excessivamente os mesmos truques e coisas grandes não são necessariamente boas. Você recorre demais aos mesmos sons, e suas letras não são boas o suficiente" (contou o vocalista em entrevista a Rolling Stone norte-americana).
Após uma estréia bonita e inocente, um segundo disco mediano e um terceiro álbum grandiloqüente e decepcionante, o Coldplay chega ao quarto disco assumindo os próprios erros e com desejo de traçar caminhos novos. "Viva la Vida or Death and All His Friends", resultado do encontro da banda com Eno e Dravs, chega a surpreender pela forma radical com que a banda nega o passado e se prepara para o futuro. Domados pelas mãos sábias da dupla de produtores, o quarteto britânico coloca nas ruas o seu melhor disco.
Além de ser um comparativo de sucesso, o U2 passa agora a ser uma inspiração para Chris Martin, que graças aos céus deixou de cantar em falsete (ele usa o expediente em poucos segundos da gravação), mas investe nos berros a la Bono. O som da guitarra que havia sido aposentado em "X&Y" retorna forte e lembrando em muitos momentos os harmônicos de The Edge. E até órgãos de igreja entraram no álbum (da mesma forma que entraram em "Joshua Tree", segundo álbum produzido por Eno e Daniel Lanois para o U2).
A influência descarada, no entanto, não faz de "Viva la Vida" um pastiche, muito pela qualidade tanto musical quanto temática do repertório. Chris Martin voltou no tempo e de lá trouxe boas histórias para suas letras antes romanticamente corretas e monotemáticas. "Cemeteries Of London" fala sobre cavaleiros que cavalgam até o amanhecer e enfrentam bruxas e fantasmas. "42" cita feitiçaria. "Yes" é sobre ceder à tentação. Em "Viva La Vida", o vocalista ouve os sinos de Jerusalém e acredita que São Pedro irá chamar seu nome. "Violet Hill" relembra um tempo em que padres também seguravam rifles.
Musicalmente, Brian Eno enxugou os arranjos e deu personalidade aos sons de teclados (que fizeram muito mal aos repertórios de "A Rush of Blood to the Head" e, principalmente, "X&Y") criando uma sonoridade com um pé no rock progressivo, mas sem cair na vala insuportável da grandiloqüência. Outra boa nova é o resgate do som da guitarra de Jon Buckland (que enriquece faixas como "Violet Hill", "Cemeteries Of London" e "Strawberry Swing"). Boa parte do repertório de "Viva la Vida or Death and All His Friends" soa grandioso e delicadamente bonito como poucas vezes o Coldplay conseguiu ser em seus dez anos de carreira.
A instrumental "Life in Technicolor" abre o álbum com som de órgão de igreja e é impossível não fazer um paralelo com "Where The Streets Have No Name", faixa que abre "Joshua Tree", do U2 (os vocais de Chris Martin ao fundo poderiam ser de Bono, se não forem brincadeirinha). "Cemeteries Of London" traz Martin gastando voz sob uma cama de órgão, teclado, violão e guitarra. O órgão de igreja retorna no arranjo mantrico de "Lost" (uma das grandes letras do álbum). "42", a melhor música, mostra o quanto a banda cresceu melodicamente: começa vagarosa e bonita a la Keane e depois se transforma em Radiohead. O arranjo de "Yes" também surpreende, com Martin cantando pausadamente sobre uma boa estrutura melódica que inclui cordas no meio da canção.
As guitarras dão a cara de verdade em "Chinese Sleep Chant", faixa escondida que começa ao final de "Yes" e faz a cama para a belíssima melodia de "Viva La Vida", com arranjo de cordas e sons de órgão e teclados vindos do céu. "Eu costumava controlar o mundo / Os oceanos aumentavam quando eu dava a palavra / E agora pela manhã eu me arrasto sozinho", canta Chris no começo da canção. "Violet Hill" é o mais próximo que o Coldplay já chegou dos Beatles (sonoramente e geograficamente: Violet Hill é uma rua paralela a Abbey Road). "Strawberry Swing" tem clima cigano, e poderia ser o final conceitual do disco, já que "Death and All His Friends" e "The Escapist" (outra faixa escondida, esta com o mesmo órgão que abre o álbum) são o mais próximo que o velho Coldplay aproxima-se do novo.
Mais do que ser um grande disco, "Viva la Vida or Death and All His Friends" coloca em primeiro plano a função do produtor. O que o lançamento sugere é que qualquer bandeca mediana pode lançar um grande álbum se estiver devidamente assessorada. É quase isso, e não é vergonha nem demérito. O que seriam dos Beatles sem George Martin? Possivelmente uma grande banda, mas será que chegariam no lugar em que chegaram? Ok, não há como comparar Chris com Lennon e McCartney, mas "Viva la Vida" coloca definitivamente o Coldplay no rol das grandes bandas dos anos 00. Chris Martin continua sendo um mala de marca maior (os recentes casos de abandono de entrevista, de recusa a lançar uma música por ser sexy demais e o risco de cancelar a turnê por um acidente no ensaio isso mesmo, ensaio só confirmam sua postura coxinha), mas já pode dormir tranqüilo: o Coldplay lançou um grande disco. Agora ele só precisa de um assessor para cuidar de sua vida pessoal, mas uma coisa de cada vez, não é mesmo.
"Viva la Vida or Death and All His Friends", Coldplay (EMI)
Preço em media: R$ 30
Nota: 8,5
enviada por Mac
13/06/2008 09:20
500 Toques: Cavalera Conspiracy, Gnarls Barkey e Cloud Cult
 
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"Inflikted", Cavalera Conspiracy (Warner)
Esta (re)união dos irmãos fundadores do Sepultura após doze anos de abstinência musical familiar não aponta o futuro (como fizeram os fundamentais "Chaos A.D.", 1993, e "Roots", 1995), mas serve para devolver os bros ao ringue. A faixa título é arrasadora (com mudanças de andamento, sirenes e vocal poderoso), e o problema do álbum é que as demais faixas não mantêm o mesmo nível, embora a hardcore "Hex", a surpresa "Terrorize" e a ótima "Hearts of Darkness" arranquem sorrisos. Que a união perdure.
Preço em média: R$ 28 (nacional)
Nota: 6
"The Odd Couple", Gnarls Barkley (Warner)
Como sobreviver a um mega hit? A resposta, óbvia, é: compondo outros mega hits. Porém, criar gemas pop não é a mesma coisa que fazer bolinha de sabão, e a dupla Cee-Lo Green e Danger Mouse retorna de sua viagem às estrelas após "Crazy" com um álbum mais calmo e suingado que sua estréia. A canção que chega mais próxima é "Run (I'm a Natural Disaster)", mas ela não representa a vibe do álbum, que soa como um disco que Bob Marley faria se tivesse vinte anos hoje. Para ouvir olhando o pôr do sol.
Preço em média: R$ 28 (nacional)
Nota: 6,5
"Feel Good Ghosts (Tea-Partying Through Tornadoes)", Cloud Cult (Rebel)
Em uma lista de prováveis "Pet Sounds" do século 21, Polyphonic Spree e Wolf Parade iriam ter que ficar na fila. O novo álbum de Craig Minowa, mentor do coletivo Cloud Cult, teria tudo para assumir a grande honraria. Pop, sacro e esquisitice saem de mãos dadas por terras pouco navegadas, o que causa tanto admiração quanto estranhamento. Jogue o segundo sentimento pela janela e deite-se neste arco-íris de sons e cores bebendo chá e admirando tornados. Um álbum para poucos. Seja um dos eleitos.
Preço em média: R$ 45 (importado)
Nota: 9
enviada por Mac
11/06/2008 07:07
500 Toques: Falcatrua, Surfadelica e Wander Wildner
 
"E o Pau de Arara Especial", Falcatrua (Independente)
Formado na Belo Horizonte do Pato Fu, o quarteto mineiro Falcatrua abraça a universalidade dos sons sem perder o humor e o rumo. A presença de um cover do mestre Tom Zé ("Fliperama") dá uma pequena idéia da ousadia das idéias do grupo, mas boas canções como "Pólo Norte" (que lembra algo do Gil tropicalista), "Pechincha" (que abre citando o clássico caipira "Saudade da Minha Terra" e vira sambão no refrão) ou o rock de riff burro "Peso da Vida" mostram que o grupo sabe realmente o que está fazendo.
Preço: Download gratuito no site oficial
Nota: 7
Link: Site Oficial
"Surfing On The Desertshore", Surfadelica (Pisces Records)
Partindo da fusão do surf com a psicodelia, o competente trio paulista amplia a sonoridade característica do gênero nesta estréia que reúne onze boas canções próprias (é louvável o fato da banda não se ater a regravações, expediente pra lá de batido). As guitarras a la Ventures marcam canções como "Questionable Navigation" e "Freakin' Out Surfin' In" enquanto a climática "Levitation" (com um q de pós punk na introdução), o rockão "Roswell" e a bela "Quasimoto" exibem a personalidade do trio.
Preço: R$ 17 (no site oficial, frete incluso)
Nota: 8
Link: Site Oficial
"La Cancion Inesperada", Wander Wildner Y Sus Comancheros (Fora da Lei)
"Eu sou um pouco Wando, um pouco wild", canta o bardo gaúcho em uma das músicas de seu quinto álbum solo, um disco que exibe as duas facetas em meio a versões punk folk de Badfinger ("Without You", inferior à gravada para o filme "Houve Uma Vez Dois Verões"), Graforreia (o clássico "Amigo Punk"), Stuart (a fodaça "Um Bom Motivo"), Barata Oriental ("Mares de Cerveja") e boas novas como a faixa título (cantada em "espanhol selvagem"), "Porto Retratos" e "Winona". Wander Wildner é coisa nossa.
Preço em média: R$ 25
Nota: 8,5
Link: Site Oficial
enviada por Mac
09/06/2008 08:00
Disco da Semana: "Momofuku", Elvis Costello & The Imposters
Wendy James era vocalista do Transvision Vamp, uma bandinha indie que parecia que iria virar algo no final dos anos 80, mas não deu em nada. A banda acabou em 1991, e Wendy, sozinha e abandonada, escreveu uma carta para Elvis Costello, pedindo lhe uma canção. Costello não lhe deu só uma canção, mas sim um álbum inteiro, o bom "Now Aint The Time For Your Tears", e ainda emprestou o baterista Pete Thomas para a donzela em apuros.
Esta pequena introdução resgatada do fundo do baú procura mostrar a prolificidade deste britânico que volta a exibir seu dote em "Momofuku", trigésimo sei lá quanto álbum de uma carreira insuspeita. A história de "Momofuku" lembra um pouquinho a da introdução. A cantora Jenny Lewis convidou Elvis Costello para cantar em seu novo álbum. Costello foi, se inspirou, saiu do estúdio e, em uma semana, tinha oito canções novas prontas, assim, do nada. Decidiu gravar rapidamente e, quando viu, tinha um novo disco.
A rapidez da gravação em clima ao vivo no estúdio rendeu a brincadeira com o titulo do disco: "Momofuku" refere-se ao o criador do macarrão instantâneo Cup Noodle, Momofuku Ando. Segundo o compositor, o disco foi feito tão rápido e de forma tão espontânea que, palavras dele, só bastou adicionar água (no caso, além dos Imposters, foram "adicionados" Jenny Lewis nos backings, seu namorado Johnathan Rice na guitarra e o Beachwood Sparks Dave Scher na guitarra stell).
"Momofuku" soa urgente como soavam os discos de Elvis Costello no começo da carreira, o que até permite um paralelo com o relançamento em edição dupla luxuosa recheada de bônus tracks e com um show completo no segundo CD de "This Years Model" (seu segundo álbum, de 1978): é só ouvir o órgão envenenado de Steve Nieve em "American Gangster Time" para fazer a conexão, e perceber que se o tempo passou, Elvis Costello e os Imposters, versão atualizada dos Attractions, continuam inspirados.
"No Hiding Place" é um rock de batida marcante com boas intervenções de Steve Nieve no piano que abre o disco de forma arrebatadora com Costello prevendo que, num futuro não muito distante, não vão existir segredos e nem lugares para se esconder. No mesmo embalo ainda estão "American Gangster Time", que destaca o inconfundível órgão de Steve Nieve, "Turpuntine", com refrão sixtie e a filha de Pete Thomas Tenessee ajudando o pai na percussão, e "Stella Hurt" (outro show particular de Nieve) e "Go Away", com os tambores à frente.
Um segundo bloco de canções revisita a sonoridade do álbum "Almost Blue" (1981) como a doo-wop "Flutter And Wow", o jazzinho "Mr. Feathers", a balada sixtie "My Three Sons" e a parceria com Loretta Lynn, "Pardon Me Madam, My Name Is Eve". "Harry Worth", uma das melhores do disco, tem clima bossa jazz, e faz lembrar o repertório dos ótimos "Spike" (1989) e "When I Was Cruel" (2002). "Song With Rose", por sua vez, tem guitarra western e clima country assim como "Drum And Bone", que começa com uma guitarra limpinha em clima de boteco.
Impressiona a facilidade com que, aos 53 anos, o músico produz boas canções ao ponto delas parecerem do tempo em que ele tinha 23. "Momofuku", que sucede a parceria de Costello com o mestre do r&b Allen Toussaint (o excelente "The River in Reverse") e "My Flame Burns Blue" (registro que flagra Costello e Nieve tocando clássicos como "Watching the Detectives" e "Clubland" em versões jazz acompanhados da Metropole Orchestra), é um grande disco que transpira simplicidade, espontaneidade e despretensão, artigos em falta no showbusiness, mas que Elvis Costello parece ter de sobra em seu estoque, e sabe usar na hora certa. Como agora.
"Momofuku", Elvis Costello (Universal)
Lançamento nacional: R$29 (em média)
Nota: 8,5
enviada por Mac
04/06/2008 09:50
Disco da Semana: "Weezer (Red Album)", Weezer
Não existem fórmulas de sucesso. Se existissem, calhordas (esses existem aos montes no showbusiness) ficariam recriando a mesma música por anos e anos consagrando a fórmula que os colocou, em seus 15 minutos de fama, no topo em algum momento de suas vidas. Felizmente, não é assim. Recriar e/ou reinventar-se é para poucos, mais precisamente para aqueles que realmente tem alguma coisa a dizer. É isso que coloca bandas que sempre fazem/fizeram "o mesmo tipo de som" como Ramones e Motorhead de um lado e os meros recicladores de outro.
Assim que entra o riff de "Troublemaker", faixa que abre o sexto álbum do Weezer, a lembrança de outros riffs alguns clássicos do próprio grupo entorpece a memória. Não é só. A própria capa sugere um déjà vu: o nome da banda sobre a cabeça dos quatro músicos que posam a frente de um fundo em cor lisa, sem contraste. Eles já tinham feito a mesma brincadeira via "Blue Album" em 2001, quando lançaram o "Álbum Verde", e agora, novamente sete anos depois, reprisam o expediente usando o vermelho. Mais um capítulo da novela "nós vamos fazer a mesma coisa o resto de nossas vidas"? Quase isso.
Com dezesseis anos nas costas, o Weezer poderia muito bem ter se transformado em um dinossauro do rock (tal qual o Oasis), mas Rivers Cuomo parece se divertir quando se veste de roqueiro, o que parece ser para ele um passatempo antropológico. Não à toa, um dos motivos do silêncio de três anos entre "Make Believe" (2005) e "Red Album" foi o retorno de Rivers Cuomo à Universidade de Harvard para completar seus estudos, algo tão antirockandroll que poderia funcionar contra a reputação da banda, mas é bom lembrar que Cuomo não é um rock star comum (um rock star comum nunca escreveria "Tired of Sex" no auge do sucesso de sua banda).
Não ser um rock star comum concede a Rivers Cuomo a liberdade criativa que atesta aquilo que muitos chamam de insanidade (outros, eu incluso, preferem um termo mais ousado: maturidade): lançar um disco que é Weezer sem ser Weezer. Na prática é isso. Na teoria é o seguinte: "Red Album" é sobre envelhecer em uma banda de rock e continuar fazendo o que der na telha. Idéia grandiosa que a pluralidade do repertório sugere, mas que esbarra na execução/produção. O tal riff de "Troublemaker" que abre o disquinho assim como seu primeiro single, a power pop chiclete "Pork and Beans", tem uma função enorme no lançamento: dizer aos fãs que apesar das outras oito canções que compõe o lançamento, este é um disco do Weezer sim (a capa ajuda a reforçar isso).
As duas canções conseguem seu intento com louvor. Apesar do clima power pop, "Troublemaker" soa rancorosa e irônica. Fala de moleques que odeiam livros, abandonam a escola, montam bandas de heavy metal, levam as meninas pra cama, e posam de agitadores. "Pork and Beans" é um dos hits do ano. Nela, o personagem desiste de fazer parte do clube dos politicamente corretos, de seguir aqueles que ditam o que está na moda. Na melhor parte da letra, Rivers sacaneia: "Todo mundo gosta de dançar uma música feliz / Com um refrão e uma batida pegajosa / Timbaland conhece o jeitinho / para chegar ao topo das paradas / Talvez se eu trabalhar com ele / Possa aperfeiçoar a arte".
Das outras oito canções, três são escritas e cantadas pelos outros membros da banda. O guitarrista Brian Bell comparece com "Thought I Knew", um power pop menor, de produção descuidada e pouca empolgação. Estranha, "Cold Dark World" é cantada/rapeada pelo baixista Scott Shriner. Já "Automatic" traz o baterista Patrick Wilson para o microfone, e faz lembrar a aproximação do grupo com o rock farofa em "Maladroit". Nenhuma das três canções tem brilho próprio, e estão ali muito mais para preencher espaço do que para dar unidade ao disco, que por elas e, principalmente pelos quatro b-sides da edição de luxo, sugere um relaxamento na produção, transformando em lançamento oficial um punhado de canções inacabadas.
Apesar do descuido com boa parte do repertório, salvam-se algumas outras canções da safra de Rivers Cuomo, faixas malucas que ouvidas isoladamente podem confundir a cabeça da audiência. É o caso da épica "The Greatest Man That Ever Lived (Variations On A Shaker Hymn)", seus quase seis minutos de duração e suas dez variações de ritmo (isso mesmo). "The Greatest" começa suave com piano, tem bateria de fanfarra no meio, vira rap, hardcore, progressiva e o escambau. Rivers até "canta" em falsete, e quer saber: o resultado é divertido. "Dreamin" começa Weezer puro e segue assim até seu break, no meio, onde recebe passarinhos e a visita espiritual de Brian Wilson. Bacana.
"Heart Songs" surge como uma (deliciosa) baladinha acústica que vai num crescendo contagiante enquanto Rivers vai listando os artistas que o influenciaram, de Cat Stevens, Joan Baez e Bruce Springsteen, passando por Slayer, Quiet Riot, Iron Maiden e Debbie Gibson até chegar em "Nevermind", o disco que fez com que ele e seus amigos fossem para a garagem compor suas próprias canções, que tempos depois iriam tocar nas rádios. Completam o álbum "Everybody Get Dangerous" (outra com vocal de rap) e a rock ballad "The Angel And The One". Os quatro lados b da edição especial ("Miss Sweeney", "Pig", "The Spider" e "King") ou mesmo a cover do The Band ("The Weight") funcionam mais como curiosidade e/ou completismo do que por qualidade.
Ok, numa conta tola daria para dizer que metade do disco é boa e a outra metade nem tanto (esqueça os b-sides). Na verdade, e em apenas um adjetivo, "Red Album" soa preguiçoso (não confunda com simplicidade). Mesmo assim é superior tanto a "Maladroit" quanto a "Make Believe", e só fica devendo ao disco verde (os dois primeiros estão em outra escala, a dos clássicos). Se pensarmos que o "Green Album" já era inferior ao "Blue Album" (apesar das quatro canções matadoras que abrem o disco), a expectativa para o "Orange" (escolha a cor que você quiser, caro leitor) não é das melhores, mas se a cada três anos eles aparecerem com uma "Pork and Beans" já está valendo. Não existem fórmulas de sucesso, mas o Weezer e Rivers Cuomo está do nosso lado da força. Ainda bem.
"Weezer (Red Album)", Weezer (Geffen)
Preço em media (importado): R$ 40 (edição simples) R$ 60 (edição deluxe)
Nota: 7
enviada por Mac
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Marcelo
Costa é editor de homes dos sites iG, iBest e BrTurbo,
editor do site Scream & Yell, e escreve sobre música, cinema
e cultura pop. A Revoluttion é atualizada às segundas (Disco da Semana), quartas (500 Toques) e sextas (coluna), com fé. :)


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Twilight Singers, Foo Fighters e White Stripes
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Carla Bruni, Dean & Britta e Kristin Hersh
Paula Toller, George Israel e Maria Rita
Stereo Total, The Autumn Defense e Rilo Kiley
Chico Buarque, Superguidis e Engenheiros
Ash, Idlewild e Gruff Rhys
Saturday Sessions, Colours Are Brighter, Daniel Johnston
Bonde do Rolê, Lucy and The Popsonics e Ludov
Air, Devastations e Black Francis
Chemical Brothers, QOTSA e Bloc Party
DISCO DA SEMANA
09/06 Elvis Costello
04/06 Weezer
26/05 The Kooks
19/05 OAEOZ
13/05 Spiritualized
06/05 Nick Cave
07/04 Rolling Stones
31/03 Raconteurs
24/03 R.E.M.
10/03 Billy Bragg
27/02 Tom Bloch
18/02 Morrissey
11/02 Wado
28/01 Jonas Sá
21/01 Sons and Daughters
08/01 John Fahey
03/01 Of Montreal
17/12 Fernanda Takai
03/12 Soulsavers
26/11 Traveling Wilburys
19/11 PJ Harvey
12/11 R.E.M.
05/11 I'm Not There
22/10 Beirut
15/10
Radiohead
08/10
Babyshambles
01/10
China
24/09
Bruce Springsteen
17/09
Eddie Vedder
10/09
Pato Fu
03/09
Josh Rouse
27/08
Fino Coletivo
20/08
Vanguart
13/08
Electrafixion
06/08
Superguidis
30/07
Canastra
25/06
OAEOZ
19/06
Love Hurts
11/06
Leonard Cohen
04/06
Violins
28/05
BRMC
21/05
Autoramas
14/05
Pato Fu
30/04
Charme Chulo
23/04
Los Porongas
16/04
Cartola
09/04
Eu Não Sou Cachorro, Mesmo
02/04
Nick Cave
26/03
Rubin
19/03
Maria Antonieta
12/03 The Stooges
05/03 Bloc Party
26/02 Brinde
12/02 Graforréia
05/02 Los Diaños
29/01 Lasciva Lula
22/01 Elis Regina
15/01 Willard Grant Conspiracy
08/01 Romulo Fróes
25/12 Papai Noel Chegou
18/12 Rapture
11/12 Morning Runner
04/12 Van Morrison
27/11 Continental Combo
20/11 Pet Sounds Tribute
13/11 Morrissey
06/11 Eskobar
30/10 The Elected
23/10 Leoni
16/10 Decemberists
09/10 Roddy Woomble
02/10 Los Pirata
25/09 Prot(o)
18/09 Caetano Veloso
11/09 Dirty Pretty Things
04/09 Later... With Jools Holland... Mellow
28/08 Boy Kill Boy
21/08 Twilight Singers
10/08 Josh Rouse
COLUNAS
Virada Cultural 2008
A Nuvem Nove
CDs ou MP3?
Bob Dylan em SP
Grito Rock: Entrevista com Pablo Capilé
Top Seven S&Y 2007
Nokia Trends
Dez Shows Nacionais
Dez Shows Internacionais
Lestics
CSS, Rapture e Devo
Tim Festival SP 07
Radiohead
CD Music Pac
Gastão Moreira
Smashing Pumpkins
White Stripes
Iron Maiden
O preço dos CDs
Vanguart e João Ricardo
Manics
Virada Cultural 2007
Wilco
Arctic Monkeys
Kind of Blue
Fitas K7
Arcade Fire
Chris Martin
Heart of Gold
Klaxons
Sete bandas
O futuro do rock nacional
Top Ten 2007
Os discos mais influentes
Roberto Carlos
Pelvs e Snooze
Mojo Books
Hot Hot Heat, We Are Scientists e Motomix
200 Discos
New Order
Bizz vs Rolling Stone
Patti Smith e Tim Festival
Cohen em SP
Frank Black
Dez mini-entrevistas
Nirvana
Bob Dylan
Plebe Rude
Franz Ferdinand
Wado, Gang of Four, Tortoise, Chico Buarque, Cardigans ao vivo
Tv On The Radio x Dylan
A música no Brasil morreu
James Dean Bradfield
Qual o seu disco preferido dos Beatles?
Top 2008
DISCO NACIONAL
1) 2, Tom Bloch
2) Terceiro Mundo Festivo, Wado
3) Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada, OAEOZ
4) À Espera das Nuvens Carregadas, Bazar Pamplona
5) A Redenção dos Corpos, Violins
MÚSICA NACIONAL
1) Fita Bruta, Wado
2) Entre Nós Dois, Tom Bloch
3) Meu Velho Escort, Beto Só
4) O Impar Perfeito, Wonkavision
5) Agora Eu Sou Vilão, Bazar Pamplona
DISCO GRINGO
1) Third, Portishead
2) Accelerate, R.E.M.
3) This Gift, Sons and Daughters
4) Dig Lazarus Dig, Nick Cave And The Bad Seeds
5) Angels of Destruction!, Marah
MÚSICA GRINGA
1) That's How People Grow Up, Morrissey
2) Inflikted, The Cavalera Conspirancy
3) Supernatural Superserious, R.E.M.
4) Gilt Complex, Sons and Daughters
5) The Switch and The Spur, Raconteurs
SHOW NACIONAL
1) Luiz Melodia, Theatro Municipal
2) Fernanda Takai, Sesc Pinheiros
3) Los Porongas, CCSP
4) Orquestra Imperial, na Av. São João
5) Romulo Fróes, Studio SP
SHOW GRINGO
1) Bob Dylan, Via Funchal
2) Jane Birkin, Sesc Pinheiros
3) José González, Sesc Vila Mariana
4) Interpol, Via Funchal


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