01/03/2007 08:08

Sete motivos para rir de Chris Martin




O Coldplay se leva a sério demais. Chris Martin se leva a sério demais. Os fãs levam o Coldplay e Chris Martin a sério demais. Onde está a alegria? Em entrevista coletiva para jornalistas em São Paulo, na tarde de quarta-feira (28/02), Chris bancou o enfezadinho, respondeu ironicamente algumas perguntas, desrespeitou jornalistas e saiu antes que o relógio completasse os 20 minutos prometidos pela gravadora. O estopim da atitude bad boy fake foram perguntas (nem um pouco desrespeitosas) com relação a sua esposa, Gwyneth Paltrow, e sobre os shows pequenos (isso sim um desrespeito deles para com os fãs) que a banda praticou na América Latina.

Chris Martin é um mala, e eu sempre desconfiei de pessoas que reclamam da vida tendo uma fortuna engordando sua conta no banco. Dinheiro não traz felicidade, nem manda comprar, mas Chris ganhou todo esse dinheiro fazendo hipoteticamente o que gosta. Você não seria feliz? O quinhão que ele precisa dar em troca é o preço de ser uma celebridade pop. Se não aguenta, por que veio? Se não queria vender milhões de discos, ficar rico, casar com uma atriz de Hollywood e viajar pelo mundo tocando suas próprias canções, por que não ficou atrás de uma mesa de escritório lidando com burocracia? O mundo seria um lugar menos chato e piegas, com certeza.

Isso tudo acontece porque Chris Martin é o exemplo perfeito do coxinha: um cara mimado, que foi criado pela avó dentro de um apartamento, que comia maçã raspadinha na colher, não queria largar a chupeta, e se lambuzava com aquelas papinhas gosmentas. Nunca jogou futebol na rua. Subir em árvore e brigar, então, nem pensar. Ou seja, Chris Martin faz parte daquele grupo de moleques que devia estar trabalhando em escritório, serviços públicos ou fazendo qualquer outra coisa que não arte. Quando optam por fazer arte, rapazes assim montam... bandas coxinhas. E não é que uma banda coxinha faça álbuns ruins. "Parachutes", o primeiro disco do Coldplay, é bem bom. E "God Put A Smile Upon Your Face" é um bom single. Mas seus fãs os tratam com uma reverência desmedida e excessiva. E isso acaba contagiando Chris Martin, um mala chorão mimado e coxinha que só conhece o lado amarelo da vida.

Chris e seu Coldplay são motivo de piada. O bom de tudo isso é que ele nos faz rir. Esta coluna, de bem com a vida – mas sem muito dinheiro no banco, sem amigos importantes e com muita inveja do vocalista – separa sete momentos da vida do marido de Gwyneth Paltrow para provar o quanto ele é coxinha. E ainda responde a pergunta que ele se recusou a responder na coletiva:

Pergunta: "Chris Martin, quais seus três filmes preferidos da Gwyneth Paltrow?"
Resposta: "Aquele em que ela dorme com o Jake Gyllenhaal, aquele outro em que o Jack Black pega ela, e aquele em que o Ethan Hawke bebe água na mesma fonte que ela."

Ok, ok, "Os Excêntricos Tenenbaums" é o meu preferido :)

Sete motivos infames para rir de Chris Martin

01) Quem, em sã consciência, coloca o nome de sua própria filha de Maçã? Imagine a lista de chamada na primeira série, e lembre-se o quanto crianças são cruéis:

Janaina (presente), Juliana (presente), Kátia (presente), Liliane (presente), Maçã (????????)

Existem piores. Mas... Maçã????? Tudo bem. Ele pode ter pensando numa brincadeira com Eva e Adão, e já está liberando a filha para ser mordida. Poderia ser maldade com a pequetita vindo de qualquer outra pessoa. Vindo dele é bundamolice mesmo.

02) Em 2003, Chris Martin perseguiu um fotógrafo que o clicou saindo de uma praia na Austrália. Foi até o carro do fotógrafo, quebrou o vidro com uma pedra e ainda tentou esvaziar os pneus (muito máscula essa atitude). Resultado: o fotógrafo deu queixa na polícia, e depois da banda ter saído do país, Chris Martin teve que voltar para comparecer perante um juiz para ouvir um sermãozinho básico. Algo que só acontece com rapazes coxinha.

Chris devia ter aprendido com Patti Smith ou Bono que não se bate em fotógrafo. O lance é ficar amigo deles. Depois eles publicam livros com imagens suas, além de trabalharem a seu favor e até fazerem clipes para a sua banda. Se ele for paparazzi? Faça como Pete Doherty e jogue champagne nele. É mais classudo. Se for pra bater, faça como Sid Vicious. Seja homem.

Ps. Sid Vicious bateu num jornalista, mas tudo bem...

03) Falando em chorão, a respeitada revista Blender (apontada por muitos como sendo a melhor publicação da atualidade no quesito cultura pop) fez uma listona em julho de 2006 com os 25 nomes mais chorões da música pop. Chris Martin ficou com o 9º lugar, sendo que à frente dele apareceram nomes como Kenny G (6º) e James Taylor (1º). Justificativa da revista: "Não é porque ele foi à faculdade. Não é porque ele é abstémio ou porque perdeu a virgindade aos 22 (ok, é um pouco por isso). O que faz de Chris Martin um chorão são suas canções carentes e apologéticas: ele implora, ele rasteja, ele está perdido, ele está com medo, ele pede desculpas e sente a sua falta. Tem mais: ele toca um instrumento de menina". É a Blender dizendo, não sou eu. Porque pra mim ele não passa de um coxinha. :o)

04) Chris Martin faz 30 anos amanhã (02 de março – parabéns carinhoso da coluna). E ele perdeu a virgindade aos 22 (como bem lembrou a Blender), segundo depoimento do próprio para a revista Rolling Stone norte-americana, em 2004. Ele alegou como motivo o fato de "ser muito inocente" e "que não sabia nada sobre o assunto". Oito anos atrás era... 1999. Realmente, a Idade Média: não era possível ler ou saber nada sobre sexo em 1999. Coitado do rapaz: 22 anos, a faculdade na Inglaterra deve ser diferente daqui e não existe aquela pegação toda, e o que mais pode fazer um garoto virgem em Devon além de aprender a tocar piano? No condado vizinho, Dorset, nasceu e cresceu Polly Jean Harvey. Precisa falar mais alguma coisa? Precisa: chorão!

05) Mesmo depois de ter perdido a virgindade e ter casado com uma atriz de Hollywood, ele continua o mesmo jeca inocente que saiu de Devon, e acredita piamente nas coisas que fala. Na época do lançamento de "X&Y", falou pra meio mundo que a banda estava reinventando a roda em seu novo disco. Tremendo engodo para justificar um álbum inferior aos dois predecessores, carente de qualidade. Agora, às vésperas de lançar o quarto álbum, disse na entrevista para jornalistas brasileiros: "O próximo disco será a respeito de atingir um outro nível". Esqueceu de mencionar que nível é esse. Abaixo da sarjeta? Pior: ele desconhece totalmente a cultura pop. Olha outra frase da entrevista: "Nós temos só três discos, e, veja, quais são as bandas que fizeram algo revolucionário neste ponto? O Nirvana e algumas outras mais, talvez?" Talvez? Talvez???????????? A exceção é você continuar criativo após o quarto disco. A regra é lançar um disco que mude convenções logo de cara. Chris Martin, pára de chorar e vá ler.

06) No ano passado, ele se recusou a trabalhar com Justin Timberlake alegando que não canta nada que não seja do Coldplay (o disco solo de Ian McCulloch, do Echo and The Bunnymen, era do Coldplay?). Você pode falar muita coisa sobre Justin Timberlake, menos que ele seja chorão ou coxinha. Enquanto Chris casou com uma atriz insossa – Gwyneth Paltrow tem bons momentos no cinema, mas é sem sal que só ela –, Justin namorou e apavorou Britney Spears (a carequinha, logo depois que terminou o casamento, foi vista chorando ao sair de um clube em que tinha encontrado Justin), rasgou o corpete de Janet Jackson revelando um dos seios da cantora em pleno intervalo do Super Bown norte-americano (a maior audiência do ano nos EUA), desfilou meses e meses ao lado de Cameron Diaz (muito mais legal que a Gwyneth, convenhamos), e dias atrás foi visto com Scarlett Johansson, Jessica Biel e Alissa Milano (não ao mesmo tempo – meu Deus – e não necessariamente nessa ordem). Justin é um cara legal. Chris Martin é um mala.

07) As revistas brasileiras Bizz e Rolling Stone destacaram a passagem do Coldplay pela América do Sul na edição de fevereiro. A melhor definição para o som da banda partiu da revista Bizz, em uma excelente sacada do jornalsta Ricardo Schott. Ele entrevistou Guilherme Arantes, "o pai brasileiro do Coldplay". Guilherme Arantes é bem legal, eu gosto, e ser apontado como pai do Coldplay coloca as coisas em seus devidos lugares. O Coldplay é para a música pop mundial o que Guilherme Arantes é para o pop brasileiro. Diz o músico: "Gosto muito do estilo do Coldplay. Já chorei enquanto escutava. (...) Realmente me identifico muito com o som deles." Ou seja: o Coldplay não está fazendo nada de novo, não está trazendo nenhuma novidade ao mundo da música, não está inventando a roda nem atingindo um outro nível, como eles mesmo acreditam. O Coldplay está fazendo hoje o que Guilherme Arantes faz desde 1977. Pense nisso. E ria.


enviada por Mac






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Marcelo Costa é editor de homes dos sites iG, iBest e BrTurbo, editor do site Scream & Yell, e escreve sobre música, cinema e cultura pop. A Revoluttion é atualizada às segundas (Disco da Semana), quartas (500 Toques) e sextas (coluna), com fé. :)



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