 |
28/06/2007 05:39
1 x 0 para Jack White
Eu já tinha esquecido a existência do White Stripes quando "Icky Thump", sexto álbum do duo, caiu na Internet. Na verdade, um pouco antes, quando começou a circular o clipe da faixa título, nem liguei e nem fui atrás. Ou seja, não bastava ter esquecido, eu não acreditava mais no White Stripes. Talvez a culpa seja do show morno que eles protagonizaram no Tim Festival 2004, talvez seja porque "Get Behind Me Satan" não tenha me causado tanto impacto (não gostei de "Blue Orchid" e quando a ficha "My Doorbell" caiu já era tarde), ou então porque o Raconteurs tenha pegado minha cabeça nas mãos e sacudido para todos os lados.
O caso Raconteurs bateu forte. Nas vésperas do lançamento oficial de "Broken Boy Soldiers" (extra-oficialmente o disco já estava na internet meses antes), esperando uma via de contato ou com Jack White ou com Brendan Benson para um papo, sacudi meus pensamentos em uma reunião de pauta de uma revista pedindo espaço para a banda na capa. E eles mereciam, mas assumo hoje: naquela época talvez fosse exagero. Eu achava (e ainda acho) que o Raconteurs era (é) a banda perfeita para o público médio americano, aquele que fez do Led Zeppelin uma das bandas que mais vendeu discos em toda a história da música pop. E a estréia de "Broken Boy Soldiers" em sétimo na lista dos mais vendidos da Billboard com 61 mil cópias em uma semana corrobora essa opinião. Mesmo assim, eu esperava bem mais.
Depois disso, o Raconteurs saiu por ai fazendo shows, boatos correram para cá e para lá de que o White Stripes tinha aposentado a chuteira, e ninguém sabia dizer qual seria o futuro de Meg White, uma das dez piores bateristas que já seguraram uma baqueta. E então, do nada, Meg e Jack surgem vestidos como cowboys em uma das capas de discos mais bonitas do ano. Não liguei. Ouvi "Icky Thump", a faixa título e primeiro single, duas vezes desligadamente, e não me abalei. E então, numa noite qualquer, ainda no meu velho apartamento, coloquei o disco inteiro em alta qualidade para rodar no Windows Media Player, e o bumbo batendo forte nas duas caixas de som logo na abertura esmurrou minha descrença, pedindo atenção. Recuperei-me, me ergui, mas já estava no placar: Jack White 1 x 0 Marcelo Costa.
Ser surpreendido por um grande disco que você não tinha a mínima idéia de que seria um grande disco, no entanto, não é uma derrota, como muitos pensam. É aquilo: você perde pela aposta, mas ganha por ser uma amante da música pop. Se todas as bandas ruins que existem no mundo, e que nós execramos, lançassem discos bons como este, o mundo seria um lugar muito melhor (e nós provavelmente não iriamos ter do que reclamar, mas qualquer coisa a gente fala do governo, da seleção brasileira de futebol, do Caetano Veloso e do Galvão Bueno, e tudo voltaria ao normal). Ou seja, seria algo do tipo: mesmo quando a gente perde, a gente ganha. E é mais ou menos isso que acontecesse com "Icky Thump", sexto disco do White Stripes: eu não tinha a mínima expectativa de que os irmãos White pudessem lançar um grande disco, mas eles lançaram.
"Icky Thump" abre com a faixa título exibindo um poderoso riff de guitarra zeppeliniano, bumbo na cara, teclados e uma letra que critica o muro que os Estados Unidos querem fazer para separar o país do México. "You Don't Know What Love Is (You Just Do As You're Told)", a segunda, é deliciosa. É pop, mas é rock. É romântica, mas não é piegas. Tem um riff matador, teclados fazendo a cama, e um jeitão 1960. Na seqüência, "300 M.P.H. Torrential Outpour Blues", começa como um country que vai sendo desconstruído e se transformando em blues de boteco de beira de estrada. Até aqui, tudo normal. É o White Stripes que você aprendeu a amar (ou odiar, cada um que carregue a sua cruz). A grande piração do álbum acontece na faixa 4, a poderosíssima "Conquest", com toques mariachis, solos de trompete e uma deliciosa história de um conquistador que, enfim, é conquistado ("O amor para ele era um gracejo, até ele olhar nos olhos dela"). É difícil demais traduzir a grandeza de uma canção. "Conquest" tem suor latino, guitarras sujas, bateria marcante e um gingado conduzido por trompetes que dá vontade de chorar de tão lindo. É o tipo de música que vale um disco.
Eu passei as duas primeiras semanas chegando até a faixa quatro, e parando em "Conquest". Depois descobri a batida country com toques celtas dos violões e gaita da ótima "Prickly Thorn, But Sweetly Worn" e sua coda psicodélica "St. Andrew (This Battle Is In The Air)" (em que Meg pergunta: "Onde estão os anjos?"), a porrada "Rag & Bone", a quebrada "I'm Slowly Turning Into You" (que começa com os teclados mandando na melodia, mas que depois cede espaço para o domínio dos riffs de guitarra), o bluezaço "A Martyr For My Love For You" e "Effect & Cause", um country leve, brincalhão e desencanado. É uma sucessão de boas canções que mantém em alta o clima do disco, após seu começo matador, e coloca "Icky Thump" na lista de grandes discos do ano (e entre os melhores do White Stripes). Você pode até não gostar de Led Zeppelin (heresia, mas tudo bem), influência vital da banda; pode achar que Meg White não sabe nem segurar as baquetas (e não sabe mesmo, mas ela é tãooo charmosinha); pode até dizer que o som do duo é retro demais, mas mesmo assim eles são um dos grupos mais interessantes da música pop nos anos 00. É com prazer que perco uma aposta para o Jack White. Que venham outras.
"Icky Thump" foi lançado em CD, vinil e pen-drive no último dia 19 na gringa. Segundo o chapa Lúcio Ribeiro, a versão nacional foi cancelada. Diz o Lúcio na Popload: "Com a capa rodando e o disco sendo prensado na fábrica, veio a ordem lá de fora: o contrato estava cancelado e a Warner Brasil não mais tinha a licença para botar a dupla de "irmãos" Jack e Meg White para tocar em edição nacional. Os CDs prontinhos tiveram que ser quebrados e jogados no lixo. Dizem."
enviada por Mac
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|
 |
 |
Marcelo
Costa é editor de homes dos sites iG, iBest e BrTurbo,
editor do site Scream & Yell, e escreve sobre música, cinema
e cultura pop. A Revoluttion é atualizada às segundas (Disco da Semana), quartas (500 Toques) e sextas (coluna), com fé. :)


Revolution
- Capa
Scream
& Yell
Blog Versão 2.0
Last
FM
My Space
500 TOQUES
Falcatrua, Surfadelica e Wander Wildner
Joy Division, Radiohead e Mundo Livre S/A
Death Cab For Cutie, Black Keys, Wedding Present
Rockassetes, Radiotape e o Frevo do Mundo
Scarlett Johansson, Nico e Madonna
Mystery Jets, Supergrass e Breeders
Júpiter Maçã, Aerocirco e Beto Só
Jools Holland, Elvis Costello e Whiskeytown
Wilco, Marah e um tributo a Neil Young
Bazar Pamplona, Turbo Trio e Wonkavision
Lloyd Cole At The BBC
American Music Club, The Long Blondes e Be Your Own Pet
Boy Kill Boy, Forward Russia e We Are Scientists
Tributo ao Pink Floyd, Juno e Brazuca
Beck, The Cardigans e Led Zeppelin
Wedding Present, The Good, The Bad and Queen, White Stripes
Senador Medinha, Nevilton e os Gianoukas Papoulas
Jens Lekman, Suzanne Vega e Damon and Naomi
Dig For Fire, High School Reunion, Radio One 67
Ryan Adams, The Sea and The Cake e Iron and Wine
Neil Young, Frank Black, Robert Plant e Alison Krauss
Lestics, Surfadelica, Narciso Nada
Britney Spears, Emma Pollock e Siouxsie
Itinerante Magazine, Rogério Skylab, Gardenais
Kurt Cobain, Ian Curtis e Joe Strummer
Twilight Singers, Foo Fighters e White Stripes
Tributos ao R.E.M., Beatles e coletânea latina
Carla Bruni, Dean & Britta e Kristin Hersh
Paula Toller, George Israel e Maria Rita
Stereo Total, The Autumn Defense e Rilo Kiley
Chico Buarque, Superguidis e Engenheiros
Ash, Idlewild e Gruff Rhys
Saturday Sessions, Colours Are Brighter, Daniel Johnston
Bonde do Rolê, Lucy and The Popsonics e Ludov
Air, Devastations e Black Francis
Chemical Brothers, QOTSA e Bloc Party
DISCO DA SEMANA
09/06 Elvis Costello
04/06 Weezer
26/05 The Kooks
19/05 OAEOZ
13/05 Spiritualized
06/05 Nick Cave
07/04 Rolling Stones
31/03 Raconteurs
24/03 R.E.M.
10/03 Billy Bragg
27/02 Tom Bloch
18/02 Morrissey
11/02 Wado
28/01 Jonas Sá
21/01 Sons and Daughters
08/01 John Fahey
03/01 Of Montreal
17/12 Fernanda Takai
03/12 Soulsavers
26/11 Traveling Wilburys
19/11 PJ Harvey
12/11 R.E.M.
05/11 I'm Not There
22/10 Beirut
15/10
Radiohead
08/10
Babyshambles
01/10
China
24/09
Bruce Springsteen
17/09
Eddie Vedder
10/09
Pato Fu
03/09
Josh Rouse
27/08
Fino Coletivo
20/08
Vanguart
13/08
Electrafixion
06/08
Superguidis
30/07
Canastra
25/06
OAEOZ
19/06
Love Hurts
11/06
Leonard Cohen
04/06
Violins
28/05
BRMC
21/05
Autoramas
14/05
Pato Fu
30/04
Charme Chulo
23/04
Los Porongas
16/04
Cartola
09/04
Eu Não Sou Cachorro, Mesmo
02/04
Nick Cave
26/03
Rubin
19/03
Maria Antonieta
12/03 The Stooges
05/03 Bloc Party
26/02 Brinde
12/02 Graforréia
05/02 Los Diaños
29/01 Lasciva Lula
22/01 Elis Regina
15/01 Willard Grant Conspiracy
08/01 Romulo Fróes
25/12 Papai Noel Chegou
18/12 Rapture
11/12 Morning Runner
04/12 Van Morrison
27/11 Continental Combo
20/11 Pet Sounds Tribute
13/11 Morrissey
06/11 Eskobar
30/10 The Elected
23/10 Leoni
16/10 Decemberists
09/10 Roddy Woomble
02/10 Los Pirata
25/09 Prot(o)
18/09 Caetano Veloso
11/09 Dirty Pretty Things
04/09 Later... With Jools Holland... Mellow
28/08 Boy Kill Boy
21/08 Twilight Singers
10/08 Josh Rouse
COLUNAS
Virada Cultural 2008
A Nuvem Nove
CDs ou MP3?
Bob Dylan em SP
Grito Rock: Entrevista com Pablo Capilé
Top Seven S&Y 2007
Nokia Trends
Dez Shows Nacionais
Dez Shows Internacionais
Lestics
CSS, Rapture e Devo
Tim Festival SP 07
Radiohead
CD Music Pac
Gastão Moreira
Smashing Pumpkins
White Stripes
Iron Maiden
O preço dos CDs
Vanguart e João Ricardo
Manics
Virada Cultural 2007
Wilco
Arctic Monkeys
Kind of Blue
Fitas K7
Arcade Fire
Chris Martin
Heart of Gold
Klaxons
Sete bandas
O futuro do rock nacional
Top Ten 2007
Os discos mais influentes
Roberto Carlos
Pelvs e Snooze
Mojo Books
Hot Hot Heat, We Are Scientists e Motomix
200 Discos
New Order
Bizz vs Rolling Stone
Patti Smith e Tim Festival
Cohen em SP
Frank Black
Dez mini-entrevistas
Nirvana
Bob Dylan
Plebe Rude
Franz Ferdinand
Wado, Gang of Four, Tortoise, Chico Buarque, Cardigans ao vivo
Tv On The Radio x Dylan
A música no Brasil morreu
James Dean Bradfield
Qual o seu disco preferido dos Beatles?
Top 2008
DISCO NACIONAL
1) 2, Tom Bloch
2) Terceiro Mundo Festivo, Wado
3) Falsas Baladas e Outras Canções de Estrada, OAEOZ
4) À Espera das Nuvens Carregadas, Bazar Pamplona
5) A Redenção dos Corpos, Violins
MÚSICA NACIONAL
1) Fita Bruta, Wado
2) Entre Nós Dois, Tom Bloch
3) Meu Velho Escort, Beto Só
4) O Impar Perfeito, Wonkavision
5) Agora Eu Sou Vilão, Bazar Pamplona
DISCO GRINGO
1) Third, Portishead
2) Accelerate, R.E.M.
3) This Gift, Sons and Daughters
4) Dig Lazarus Dig, Nick Cave And The Bad Seeds
5) Angels of Destruction!, Marah
MÚSICA GRINGA
1) That's How People Grow Up, Morrissey
2) Inflikted, The Cavalera Conspirancy
3) Supernatural Superserious, R.E.M.
4) Gilt Complex, Sons and Daughters
5) The Switch and The Spur, Raconteurs
SHOW NACIONAL
1) Luiz Melodia, Theatro Municipal
2) Fernanda Takai, Sesc Pinheiros
3) Los Porongas, CCSP
4) Orquestra Imperial, na Av. São João
5) Romulo Fróes, Studio SP
SHOW GRINGO
1) Bob Dylan, Via Funchal
2) Jane Birkin, Sesc Pinheiros
3) José González, Sesc Vila Mariana
4) Interpol, Via Funchal


|
| |
|
 |